quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Meu pensamento hoje...

“O amor volta à moda”
De repente, todo mundo desandou a falar de amor, a botar a palavra amor em título de livro ou filme, a musicar, desenhar, cantar amor. Amor é um produto em alta. E as pessoas se perguntam, será que ele voltou à moda? Bobagem. Só pode voltar quem esteve ausente. E o amor, sentimento nosso de cada dia, nunca se afastou um passo, nunca saiu do uso corrente......Mas o que ele pode realmente nos dar?Do amor diz-se que é muito bom quando começa, mas que acaba invariavelmente assassinado pela convivência. E diz-se também que não há exaltação sexual capaz de resistir a anos de repetição do mesmo cardápio erótico. Passam-se essas frases adiante com convicção, mas sem muita análise.Na verdade, o que mata o amor não é a convivência. Se fosse, teríamos nas mãos a mais cristalina das soluções: bastaria não viver juntos. Mas os casais que não vivem juntos não são em absoluto mais felizes do que os outros, e nem de longe tão dourados. O que desgasta a relação é o tempo, exatamente como desgasta tudo o mais. Não por “envelhecimento” do sentimento, mas porque, modificando as pessoas interna e externamente, modifica os seus desejos, e a capacidade recíproca de satisfazer esses desejos. Essas modificações ocorreriam de qualquer maneira, independente da convivência, e significam que o perigo, para o amor, está localizado justamente onde colocamos também a sua maior qualidade: na duração....Nem a repetição mata o sexo. O que mata o sexo é o empobrecimento sexual. E convivência não significa necessariamente repetição empobrecedora. Pode significar aprimoramento, descobertas. O casal que se ama ao longo de anos não é sempre igual. Modifica-se nas crises, modifica-se na própria convivência. E as modificações são trazidas para a vida sexual. Seria preciso uma falta de imaginação impensável, para que um casal fizesse amor da mesma forma, noite após noite, durante toda a vida.Mais uma vez estamos nos aproximando do amor com excessivas exigências. Queremos que nos preencha onde o sexo descompromissado não nos preencheu. Que nos resolva onde o culto do eu não nos resolveu. Que nos dê a plenitude que as procuras místicas não nos deram. Que nos faça totalmente felizes, compensando ausências e frustações. Mas o amor não é um fenômeno isolado, aleatório, capaz de solucionar sozinho todos os problemas. È sentimento gerado por cada um, conforme a totalidade do comportamento, parte e decorrência do padrão de vida. Dificilmente uma existência toda cinzenta gera um amor estrelar. E dificilmente também recebemos do amor a imensidão que desejamos se, voltados só para ele, nos esquecermos de cuidar do principal, de enriquecer a vida em que o amor se origina.

3 Comments:

At 9:01 AM, Blogger Claudia said...

Adorei Ju!!! :)

 
At 11:16 AM, Blogger Juliana van den Bosch said...

Amor - que seja infinito enquanto dure!
Eu acredito nele! Não acredito que convivência e tempo o podem matar. A solução para a eterna guerra convivencia vs amor eterno é que nós temos que nos apaixonar sempre...e se o fazemos pela mesma pessoa, estamos sempre renovando e continuando "in love"!
Ju, adorei o texto!
Beijinhos da sua xará,
Ju

 
At 7:38 PM, Blogger Wilma said...

Oi, que coincidência encontrar este poema de Marina Colasanti aqui, eu o publiquei também no meu blog...ele estava guardado comigo há anos...legal você também o ter escolhido. Beijos

 

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